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Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

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As Quintas da minha vida #1

A Quinta Sinfonia de Mahler

 

Para nos situarmos, Mahler é um elemento crucial na música clássica estando na fronteira daquilo que é designado como o período Romântico e abrindo os horizontes para o que foi o denominado movimento Moderno no Seculo XX.

 

Estamos no final do século XIX e início do Século XX, Mahler encontra a mulher de sua vida, Alma Schindler e sofre de alguns problemas graves de saúde. No campo da ciência é apresentada a psicanálise por Freud e dá-se o falecimento de Nietzsche. Estes dados são relevantes pois parte da estrutura desta peça vai buscar estes elementos de inspiração para o desenvolvimento dos vários andamentos da obra.

 

Sendo um compositor pouco ortodoxo, a Quinta de Mahler segue uma estrutura mais ou menos clássica alternando entre momentos de profunda escuridão e de grandiosa luminosidade, não deixando contudo de surpreender quando inicia o primeiro movimento com uma Marcha Fúnebre pontuada por personagens silenciosos vagueando numa profunda escuridão.

 

O segundo movimento, em plena contradição com o primeiro e antecipando a estrutura formal de uma sinfonia, presencia-se uma celebração ao Niilismo imperando a histeria, a loucura, o frenesim, retratando a confusão que assola o seu coração e a súde. Este e o terceiro movimento levam-nos à reflexão, à procura do sentido da vida, num misto de alegria e desolação, preparando-nos para aquilo que é dos adagiettos mais belos da criação clássica de todos os tempos.

 

O quarto movimento, Adaggieto, é a vitória da paz sobre a miséria e desolação que assolam as nossas vidas. É também uma declaração de amor à sua Alma Schindler. Retratando um tempo que já não existe, Mahler em vez de escrever uma carta, confidencia neste movimento o seu amor ao que ela, percebendo, responde: “Ele deveria aparecer!!!”.

 

O quinto movimento de inspiração Bachiana (punctos contra puntum) é o momento em que os componentes principais de toda a peça se juntam num crescendo de violência em que tudo brilha e explode num grande clímax encerrando a peça num imenso grand finale.

 

A peça que se apresenta de seguida corresponde ao Quarto andamento. Peça referencial a qual foi tocada por Leonard Bernstein no funeral de Robert Kennedy em 1968 tendo sido também utilizada no filme "A Morte em Veneza", 1971, por Luchino Visconti. A versão aqui apresentada é dirigida pelo Claudio Abbado, em minha opinião, um dos seus mais brilhantes condutores. Diga-se contudo que há quem considere que o ritmo destas versões mais modernas está lento face aquilo que Mahler compôs, desvirtuando o objectivo central do movimento enquanto declaração de amor.

  

 

Das múltiplas versões desta Sinfonia, recomendaria as dirigidas por Eliahu Inbal, Herbert von Karajan e Claudio Abbado.