Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

Dá-me o Pinto, dá-me o Pinto!

 

Entrei cedo como de costume.

 

O pasquim estava com pouco movimento nessa noite.

Foram todos jantar fora, ao que percebi.

Resolvi deitar-me cedo, a canícula amainou, já se consegue dormir de janela aberta.

Choveu muito hoje, por sinal. Está ainda no ar aquele cheiro molhado, aquele perfume de terra banhada por uma chuva de trovoada.

Este mês de Agosto esteve de ananazes, pensei. Com esta chuva acabou-se o flagelo estival que nos queima as florestas e entristece a alma.

 

À mesa de cabeceira, desde o meu aniversário que tenho o último livro de Haruki Murakami "O elefante evapora-se". Um digno sucessor de Franz Kafka, anuncia o Sunday Herald. Lembrei-me daquele escândalo nos states. "Encantador, bem humorado e muitas vezes intrigante ... uma leitura divertida" propagandeia o New York Times. Deve ser bom, pensei. Seja como for, não me apetece adormecer com o sucessor de Kafka após um dia tão stressante como este.

 

Subitamente, na calma de uma noite onde a diversão morava ao lado, ouvi aquilo que me pareceu um grito,

"Dá-me o Pinto! dá-me o Pinto!"

Seria o Major!, pensei eu, rebuscando nas memórias estórias antigas de um futebol ainda dourado ...

Eis que ouvi a voz de uma senhora ... levantei-me, calcei as galochas, única peça de calçado disponível e corri pelo corredor fora até ao quarto onde me pareceu ouvir tão estranho pedido e tão desejoso lamento!

 

 

      

 

De repente, acordando sobressaltado, vi que tinha o livro aberto em cima do peito ...

Raios, afinal sempre acabei por ler este gajo! 

 

 

 

3 comentários

Livro de Reclamações