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Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

A savage portrait of a savage man

 

O controlo da criatividade, o uso da arte como veículo de mensagem política constitui o grande atractor da prática déspota.

 

Exemplos de situações destas abundam, infelizmente.

 

Situamo-nos na União Soviética de meados do Século passado. Shostakovitch, compositor (1906-1975), à semelhança de todo um conjunto de actores relevantes do panorama sócio-cultural Russo, teve uma relação muito delicada com Estaline pela sua "desadequação" ao dictat imposto pela estética vingente.

 

Em plena Grande Purga, Shostakovitch foi salvo, in extremis, através da sua Quinta Sinfonia, numa época em que a arte era sobretudo cultura e em que a criação artistica tinha mensagem e esta era entendida. Uma ovação superior a meia hora no dia da sua estreia, salvou, provavelmente, este recentemente designado "Inimigo do Povo" de um destino incerto.

 

Ainda hoje esta ovação é das maiores que há conhecimento.

 

Estaline morre em Março de 1953 e em Dezembro do mesmo ano, novamente sob a direcção de Yevgeny Mravinsky, estreia a 10ª Sinfonia. O Segundo Movimento desta sinfonia é a visão de Shostakovitch daquilo que foi Estaline enquanto homem e estadista.

 

Nas palavras de Shostakovitch a Solomon Volkov, este Segundo Movimento é "A savage portrait of a savage man".

 

Escolho a versão interpretada pela Orquestra Juvenil Teresa Carreño naquilo que é das criações mais brilhantes nesta área, o "El Sistema" de ensino musical venezuelano, sob a direcção do não menos brilhante e polémico condutor, Gustavo Dudamel.

 

Eu consigo vislumbrar o que terá sido Estaline, estarei só?