Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

Pensão Lisbonense

Águas correntes, quentes e frias.

A falta que um ouvido faz

 

 

Uma vida inteira a ouvir que os cotonetes fazem mal à saúde e a espetar todos os dias um nas orelhinhas antes de tomar o primeiro café do dia não costuma dar bom resultado. Hoje foi o dia. Um excesso de água no canal auricular, consequência de um duche que durou mais que o costume, e uma sequência de gestos desastrados tiveram como resultado uma orelha sinistrada. Depois de praguejar durante meia hora, limpei as lágrimas e fui trabalhar. Passei o dia a senti-me o Van Gogh a pintar girassóis e a pensar que a vida é uma merda. Um membro do colectivo pensionista avisou-me para de agora em diante só usar uma toalha molhada, ele lá deve saber porque já furou um tímpano. Segundo as noções de acumpultura acertei em cheio nos pulmões o que pode explicar o volume dos meus berros. A sorte é ter duas orelhas, podia ser pior. Por exemplo podia ter caído outra vez na banheira, causa número um no ranking de acidentes domésticos mortais. Mas o dia em que caí na banheira é um post para outras núpcias.